GERMANA
GOUVÊA
Os
registros acadêmicos guardam pouco da vida do sodalício por problemas
antigos. Ler, em seguida, informe no tópico "Fatos da História Acadêmica".
Não possuímos a data do nascimento da acadêmica Professora Germana
Gouvêa, sendo certo ter vindo ao mundo na última década do século
XIX.
Petropolitana,
nasceu no Alto da Serra em família de ferroviários. Estudou no Colégio
Santa Isabel até formar-se no respeitado e famoso Curso Normal,
no ano de 1913. A 28 de abril de 1914 obteve nomeação, por concurso,
para professora do Estado do Rio, iniciando seu trabalho a 4 de
maio do mesmo ano. Ingressou como professora adjunta na Escola Complementar
D. Pedro II, passou para a escola da Ponte do Fontes e, a 8 de maio
de 1931, foi premiada com a direção do Grupo Escolar D. Pedro II,
mercê de sua capacidade, abnegação e profundo carisma de mestra
amiga, enquanto bondosa e enérgica, nela permanecendo até 1945,
quando se aposentou.
No
salão nobre do Grupo Escolar onde se viam os retratos de D. Pedro
II, da Princesa Isabel, de Raul Veiga, do Duque de Caxias, do presidente
Getúlio Vargas e de outras personalidades, criou o "Grêmio Literário"
e permitiu a instalação da sede de reuniões e festividades da Academia
Petropolitana de Letras, em seguida sedimentada por ato do Governo
Estadual, sob o Comandante Amaral Peixoto. Tornou-se a anfitriã
gentil e dedicada da Academia.
Criou
e instalou a "Círculo de Pais e Professores do grupo Escolar D.
Pedro II", entidade precursora da participação dos pais nas atividades
escolares, hoje em pleno exercício.
Por
sua atividade cultural e educacional de prestígio e renome, foi
proposta pelo acadêmico Joaquim Gomes dos Santos para integrar a
nossa Academia, então Associação de Ciências e Letras, a 9 de agosto
de 1923. Foi uma das primeiras mulheres brasileiras - senão a primeira
- a integrar um quadro acadêmico, em tempos de restrição, e mesmo
proibição, de mulheres nas entidades culturais do gênero. Quando
da reestruturação da entidade para Academia Petropolitana de Letras,
a 30 de dezembro de 1929, na presidência de outra admirável acadêmica
Nair de Teffé Hermes da Fonseca, Germana Gouvêa e, em seguida, a
partir do estatuto de 16 de maio de 1934, passou a ocupar a cadeira
40, escolhendo o romancista, do qual era admiradora, Joaquim Manuel
de Macedo, para patrono, produzindo belo discurso de homenagem patronímica.
Destacava-se no sodalício por sua atividade prestante e objetiva
e por suas palestras e discursos de elevada erudição e precioso
conteúdo. Nos biênios 1947-1949, presidido por Serpa de Carvalho;
1956-1957, por José Kopke Fróes; 1960-1961, por Carlos Alberto Werneck,
exerceu o cargo de tesoureira.
Participou
de muitas comissões de trabalho em prol de eventos petropolitanos,
onde pontificou como abelha mestra de eficiência e dedicação: "Pró
panteão dos Imperadores", que culminou com a criação da Capela Imperial
na Catedral de Petrópolis; "Centenário da Fundação de Petrópolis"
e "Congresso Eucarístico do Centenário de Petrópolis, ambas em 1943.
Integrou
o grupo de fundadores do Instituto Histórico de Petrópolis, no ano
de 1938, onde ocupou diversos cargos em Diretorias.
Germana
Gouvêa era elegante no trajar e no ser, atenta ao civismo, à educação,
à cultura, uma personalidade inesquecível de nossa história educacional
e cultural.
Faleceu
a 28 de dezembro de 1977, após alguns anos de muitas cirurgias ocasionadas
por queda que ocasionou fratura do fêmur. Apoiando-se em uma bengala,
estava sempre pelo centro da cidade conversando com amigos e sempre
comparecendo aos eventos culturais e sociais.