MAURÍCIO
SILVA
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O professor,
poeta, contista, ensaísta, tradutor, crítico literário, diretor
teatral Mauricio Cardoso de Mello e Silva nasceu em Campos dos Goitacases,
no Estado do Rio de Janeiro, a 8 de janeiro de 1928, filho de Themístocles
Silva e Maria Carlota Silva. Temístocles casou quatro vezes, perdendo
as três primeiras esposas muito jovens (Alcina, deixando as filhas
menores Ruth, Fidelina e Lina; Maria Carlota deixando Stella, Antônio
Luiz e Maurício). Veio para Petrópolis assumir o tabelionato do
5º Oficio, casando com Antonieta Romão, com um filho Paulo. Por
último, desposou Graziella Baggi, que lhe deu as filhas Maria José
e Maria Clara. Seu pai, radicou-se definitivamente, com toda a família,
em Petrópolis. Maurício, em Petrópolis desde os 5 anos de idade,
fez seus estudos nos educandários petropolitanos, cursando Direito
na Faculdade de Niterói apenas os 1º e 2º anos, deixando o curso
para dedicar-se ao magistério, sua grande paixão profissional. Capacitou-se
a lecionar por conclusão de cursos no "Cades", obtendo registros
em Português, Literatura Luso-Brasileira, Francês e Literatura,
para os níveis dos 1º e 2º graus em diversos educandários: Werneck,
São José, Estadual D. Pedro II, Ateneu, Biblos e Liceu Municipal,,
os dois últimos atuando como diretor, anos de 1960-1963 e 1979-1981,
respectivamente. Antes do magistério foi Chefe do Almoxarifado do
Hotel Quitandinha e escrevente de justiça dos cartórios 5º e 7º
Ofícios. Atuando com talento na cultura petropolitana, foi Diretor
da Escola de Artes do Departamento de Cultura da PMP, fundador e
presidente do Clube Petropolitano de Cinema, membro do Conselho
Municipal de Cultura, presidente da Associação Petropolitana de
Professores e Comissário de Menores. Dedicou-se à tradução de obras
literárias, mais de dez, destacando-se "A Casa de Bernarda Alba",
de Garcia Lorca e "O Mal-Entendido" de Albert Camus. Publicou os
livros: "Matéria de Gramática e Estética Literária" e "O Outro Lado
da Rua", crônicas e poemas, com prefácio de Millor Fernandes. Recebeu
o "Prêmio Grande Chance na Literatura", no programa de Flávio Cavalcanti,
com a crônica " O Espantalho" e "Menção Honrosa" no concurso de
contos promovido pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, editado
em livro. Admirador e estudioso do socialismo, foi um dos fundadores
do Partido Socialista Brasileiro em Petrópolis, na década de 1940,
participou de encontros e congressos o que lhe valeu muitas advertências
e dificuldades profissionais nos tempos da ditadura de Vargas. Encantado
pelo teatro, fundou o " Grupo Estudantes Unidos", montando a peça:
" O Tempo e os Conways", de J. B. Priestley, com 4 prêmios no 1º
Festival Fluminense de Teatro Amador de Niterói (1965). Transformou
o grupo em "Caleidoscópio", montando "Dona Rosita, a Solteira",
com 5 prêmios no 2º Festival de Niterói (1996); "Está lá fora um
Inspetor", de J. B. Priestley, 7 prêmios no 3º Festival de Niterói
(1969). Montou e dirigiu, ainda, mais 7 peças, todas com marcante
sucesso. Escritor de belo estilo, talentoso, Maurício publicou muitas
crônicas, contos e poemas na imprensa petropolitana e fluminense.
Casado com Eliete, que lhe deu 8 filhos, professor sabidamente de
poucos recursos financeiros, sua luta pela vida e em favor da família
e de tudo o que abraçou foi sempre de extrema dificuldade porém
com enorme coração e infinita dedicação. Ingressou na APL, empossado
a 6 de janeiro de 1996 na cadeira nº 20, patrono Vicente de Carvalho;
ficou por poucos meses, renunciando e passando a Acadêmico Emérito.
Fora eleito anteriormente para a cadeira nº 36, no ano de 1979,
patrono Carlos de Laet, sem tomar posse. Sua participação acadêmica
encontrou algumas turbulências de percurso ainda não levadas à análise
acurada da pesquisa histórica. Seu nome honrou - e muito! - o sodalício
petropolitano, onde proferiu inspiradas palestras literárias. O
grande intelectual e belíssima criatura humana faleceu aos 71 anos
de idade a 2 de janeiro de 1999.
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