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ANADYR
DO NASCIMENTO SILVA BRETAS BASTOS
Nasceu
em Petrópolis no ano de 1905 e faleceu no Rio de Janeiro, onde foi
sepultada, no dia 18 de fevereiro de 1939. Tinha apenas 34 anos
de idade.
Talentosa
jovem tornou-se professora, como as boas moças de família daqueles
anos. Inquieta, inteligente, culta, começou a escrever para os jornais
petropolitanos, o que não era usual em se tratando de jovem senhorita.
Desde a fundação da Academia Petropolitana de Letras, a 3 de agosto
de 1922, passou a freqüentar as sessões literárias, nelas tomando
parte interessada e a 22 de abril de 1925 - contava ela 20 anos
de idade - ingressou na Associação de Ciências e Letras, antiga
denominação da nossa atual Academia.
Eis o teor do convite:
"A Associação de Ciências e Letras tem a honra de convidar V. Ex.
e sua Ex.a. Família para assistirem à recepção que se realizará
no próximo domingo, 3 de maio, às 15 horas, no salão nobre do Grupo
Escolar D. Pedro II.
"Serão recebidos o ilustre diplomata e homem de letras, Dr. Raphael
Mayrinck, que fará um estudo acerca da personalidade do grande estadista
brasileiro, o saudoso chanceler Barão do Rio Branco, e a distinta
professora Mlle. Anadyr do Nascimento Silva, que falará sobre o
poeta Vicente de Carvalho.
"Receberá os novos associados, em nome da Associação, o consócio
Dr. Mário Dias.
"A Associação antecipa seus agradecimentos pelo comparecimento de
V. Ex.a. E de sua Ex.ma. Família.
"A DIRETORIA".
No
dia marcado, o Grupo Escolar D. Pedro II, em festa, recebia a Associação
seus convidados para a posse conjunta. Em nome da Associação, o
Dr. Mário Dias teceu belo trabalho acerca dos dois novos consócios,
defendendo a participação da mulher culta nas sociedades literárias
e enaltecendo a obra e o talento da jovem Anadyr, dizendo, entres
outras considerações preciosas:
"Entre elas, ocupa um lugar de destaque a senhorinha Nascimento
Silva, que a Associação de Ciências e Letras de Petrópolis tem a
honra de receber em seu seio."
"...
ela já é uma esplêndida realização, um exemplo admirável de clarividência,
de bom senso e de cultura literária. Possuindo um extraordinário
poder imaginativo o seu talento se desdobra em múltiplas feições
que lhe permitem uma larga visão artística, através de um subjetivismo
suave e empolgante, impregnado de um fundo sentimental que ao mesmo
tempo comove e exalta".
A
acadêmica, em seu discurso de posse tece um hino ao poeta Vicente
de Carvalho, seu patrono. Na abertura da consagradora biografia
do grande poeta brasileiro, Anadyr confessa o seu orgulho de petropolitana
e transparece a sua natureza sensível:
"Assim, eu, que vim do deslumbramento desta terra florida que me
viu nascer, para o vosso cenáculo, sinto-me qual a pobre avezinha,
presa também da mesma comoção e indecisa, com receio de ensaiar
os meus primeiros passos na trilha em que a vossa nímia gentileza
veio colocar-me".
A partir
da posse, Anadyr tornou-se freqüente a todas as realizações da Associação,
não negava colaboração de qualquer ordem e, ainda, floreava de amigas
jovens a sisudez, por vezes exagerada, dos saraus literários. Levava
alunos e, quando lia as páginas sensíveis de sua imaginação criadora,
tecia poemas, costurava prosa, vivia no mundo mágico da poesia e
da cultura. Sua bela voz de jovem ressoava pelo enorme salão impregnando
de sensibilidade as almas que ali iam aplaudi-la.
Publicou
na "Revista da Academia", sob a direção de Antônio Joaquim de Paula
Buarque os contos "Cisne Branco" e "O Carreiro", a cortina teatral
"Galanteria" e o soneto "Lágrima". Corriam os anos de 1936 a 1938.
Fixou
residência no Rio de Janeiro e lá publicou o livro de contos "Boiuna",
dedicado "Aos tios José Victorino do Nascimento Silva e Mariana
Alves Barbosa, sombras queridas que acompanham os meus passos pela
senda da saudade..." No Rio, colaborou com revistas literárias e
escreveu algumas peças teatrais para crianças, como "Natal do Jornaleiro"
e "24 Horas num Jardim", que representou com grupo por ela organizado
e dirigido. Deixou, ainda, publicados os livros "Na Roda da Vida"
e "Flagelo dos Deuses".
A Academia
Petropolitana de Poesia Raul de Leoni homenageia a escritora e poeta
conferindo-lhe patronímico da cadeira n.º 05, uma lembrança de carinho
e justíssima homenagem.
(Extraído
de artigo publicado na imprensa petropolitana pelo acadêmico titular
da cadeira n.º 33, Joaquim Eloy Duarte dos Santos)
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