JOAQUIM
GOMES DOS SANTOS
Acadêmico
idealizador da nossa Entidade, era niteroiense de nascimento, filho
do Capitão Joaquim Heleodoro e D. Anna Gomes dos Santos, nascido
a 9 de maio de 1888. Perdeu a mãe aos 5 anos e o pai aos 10 anos,
no ano de 1898. Seu pai transferiu residência para Petrópolis, com
os filhos: Ricardo, Mariana, Dora e Joaquim, acompanhando a repartição
pública a que servia, ao passar Petrópolis a capital do Estado do
Rio de Janeiro.
O menino
freqüentou por seis meses a Escola Gratuita São José e, em seguida,
empregou-se no comércio para sobreviver. Autodidata, aprendeu em
jornais e livros a ler e escrever, estudando contabilidade e obtendo
o registro de "guarda-livros"; prestou exames no Colégio Pedro II
de várias matérias, com aprovação em todas, lecionando "Escrituração
Mercantil" na Escola da Liga de Comércio. Talentoso na arte de escrever,
colaborou na imprensa com crônicas, poesias e colunas semanais de
atualidades como "Rabiscos" e "Septenárias", assinando sob o pseudônimo
"Silvio Rafael". Em 1922, em matéria publicada na "Tribuna de Petrópolis",
sugeriu a criação de uma entidade literária na cidade, abraçando
a causa juntamente com João Roberto d 'Escragnolle e seu inseparável
amigo Reynaldo Chaves, ocasionando a fundação da "Associação Petropolitana
de Ciências e Letras", a 3 de agosto de 1922, a nossa hoje Academia.
Participou das primeiras diretorias e foi o redator do primeiro
estatuto.
Admirador
e amigo de Paulo Carneiro, atendeu ao apelo do maestro, em 1923,
quando este faleceu e, junto a discípulos do fundador da "Escola
de Música Santa Cecília", colocou-se na vanguarda dos idealistas
que a mantiveram até nossos dias. Presidiu a Escola por 18 anos
consecutivos e mais uma década em outras funções da diretoria.
Idealizou
e trabalhou direta e incansavelmente para a ereção do Monumento
ao Expedicionário Petropolitano, com Luiz Afonso de Miranda e Silva,
Alberto Becker e seu filho Paulo Jeronymo Gomes dos Santos, obra
inaugurada no ano de 1947, sob a responsabilidade da entidade beneficente
"Centro Auxiliar dos Funcionários do Telégrafo", da qual era fundador
e diretor. Teve presença viva e atuante em muitas comissões culturais
e educacionais da cidade, jamais negando sua colaboração e eficiente
trabalho, a par da lúcida presença nas mesas de debates.
Escreveu
uma novela: "Ismênia", um livro de poemas "Gaivotas", muitas crônicas
na Imprensa, a serem reunidas em livro, uma peça de teatro "O Plano
do Ciúme". Ocupou a cadeira 5, patrono Nilo Peçanha na Academia,
em cuja tribuna proferiu belos e inspirados discursos, como, também,
ocupou a presidência e trabalhou em quase todas as diretorias.
Faleceu,
aos 71 anos de idade, no posto de 1o secretário, a 19 de setembro
de 1959, deixando 9 filhos e, dentre eles, os atuais acadêmicos
Joaquim Eloy e Paulo Jeronymo Gomes dos Santos, ambos da Diretoria
atual.