MARIA
EUGÊNIA CELSO
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Maria
Eugênia Celso Carneiro de Mendonça nasceu em São João Del Rey, Minas
Gerais, a 19 de abril de 1886, filha do Conde e Condessa de Afonso
Celso, neta do Visconde de Ouro Preto que presidia o Gabinete Imperial
quando da deposição do Imperador D. Pedro II. Sua família radicou-se
em Petrópolis e a menina cursou o Colégio Sion. No ano de 1917,
aos 21 anos de idade, casou-se com o funcionário do Ministério da
Fazenda, Adolfo Carneiro de Mendonça; o casal teve dois filhos:
Vicente Afonso, que faleceu criança e Maria Vitória. A partir de
1920 iniciou uma carreira jornalística, escrevendo uma coluna diária
para o "Jornal do Brasil" e poesia na "Revista da Semana", sob o
pseudônimo de Baby-Flirt, "O Galo" e "Fon-Fon". Escreveu, produziu
e apresentou nas rádios "Nacional", "Sociedade" e "Jornal do Brasil"
o programa "Quartos de Hora Literária". Foi funcionária de carreira
do Ministério da Educação a Cultura. Participou ativamente do "Movimento
Feminista", em favor da emancipação política e social da mulher,
dedicou-se ao assistencialismo junto às "Damas da Cruz Verde", aparecendo
como uma das lideranças que criaram a maternidade "Pro-Matre" do
Rio de Janeiro. Integrou o quadro da "Federação Brasileira pelo
Progresso Feminino", mandato de vice-presidente nos anos 30, junto
com a notável Bertha Lutz e diuturna ação junto às organizações:
Cruz Vermelha, Cruzada Nacional Contra a Tuberculose, Beneficência
dos Lázaros e Liga dos Cegos do Brasil. Em 1931 foi nomeada representante
do Governo Brasileiro no II Congresso Internacional Feminista. Do
seu documento final apresentado ao Governo Brasileiro, foi conquistado
o voto universal para as mulheres, no Código Eleitoral de 1932,
a partir de 10 de fevereiro de 1933. Literata, de fina cultura,
foi autora dos hinos da Federação Feminista e da Escola de Enfermagem
Ana Nery. Escreveu: poesia" "Em Pleno Sonho" (poemas de amor), "Vicentinho",
"Fantasias e Matutadas", "Desdobramento", "Alma Vária", "Jeunesse",
"O Solar Perdido" e "Poemas Completos", este no ano de 1955; o romance
"Diário de Ana Lúcia"; crônicas no livro "De Relance"; ume peça
de teatro "Ruflos de Asas"; biografia: "Síntese Biográfica da Princesa
Isabel". Integrou os quadros da Associação Brasileira de Imprensa,
Pen Clube do Brasil, Instituto Brasileiro de Cultura, Instituto
Histórico de Ouro Preto e as entidades assistenciais já citadas.
Ingressou como efetiva na Academia Petropolitana de Letras, a partir
de 1936, ocupando a cadeira nº 31, patrono o seu avô Visconde de
Ouro Preto. Colaborou com a Revista da Academia nº 3, julho de 1936
(poema "Pousada por uma Noite"); nº 4,dezembro de 1936 (poema "A
Figura Velada"); e nº 5, junho de 1037 (poema "As Árvores da Praça").
Fixando residência no Rio de Janeiro renunciou à cadeira, sem substituída,
a 2 de fevereiro de 1945 pelo historiador Lourenço Luiz Lacombe
No ano de 1961 residia na Avenida Calógeras, no Rio de Janeiro.
Em dezembro de 1936 a revista "O Malho" promoveu uma enquete entre
seus leitores para apontarem a mulher literata que mereceria integrar
o quadro titular da Academia Brasileira de Letras, a qual, na época,
não admitia mulheres. Resultado: 1º) Maria Eugênia Celso; 2º) Gilka
Machado; 3º) Alba Canizares do Nascimento; 4º) Ana Amélia de Queiroz
Carneiro Mendonça; e 5º) Henriqueta Lisboa. As vencedoras foram
homenageadas em solenidade na Associação Brasileira de Imprensa.
A cada uma das vencedoras "O Malho" ofereceu um medalhão em bronze,
contendo no verso e reverso as inscrições: "Plebiscito promovido
pelo "O Malho" e "Levemos a Mulher à Academia de Letras - 1936".
Não possuímos dados do passamento dessa extraordinária mulher brasileira,
devotada a causas nobres, valente e decidida, cuja marca está impressa
nas organizações assistênciais e entidades culturais que tiveram
o privilégio de tê-la em seus quadros, além, da bela produção literária
que necessita ser divulgada e reeditada.
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