NAIR
DE TEFFÉ
Nascida
no Rio de Janeiro a 10 de junho de 1886, era filha do Barão de Teffé
(Antônio Luiz Von Hoonholtz), grande nome do Império e herói da
Guerra do Paraguai e da senhora Maria Luiza Dodsworth. Nos seus
primeiros anos de vida, até os 15 anos, residiu com os pais em Paris,
Bruxelas, Nice, e, finalmente em 1905, retornou ao Rio de Janeiro,
após brilhante representação diplomática de seu pai na Velha Europa.
A menina teve educação e instrução esmerada nos melhores educandários
do Exterior e do País. A família Teffé adquiriu casa na rua Silva
Jardim e passou a residir em Petrópolis nas temporadas de verão
e, muitas vezes, extrapolando o período e, por fim, radicou-se em
terras petropolitanas.
Nair
era irrequieta, bela feminilidade, de espírito arguto, cantava,
escrevia, poetava, caricaturava, aparecia com destaque e atenção
nos salões de baile e artísticos, foi atriz de teatro e festejada
cantora. Alcançou grande sucesso com suas caricaturas de personalidades
sociais e políticas, em seara artística exclusiva de homens, naquela
época. Ficou nacionalmente famosa sob "Rian", seu nome de batismo
com as letras invertidas. O escritor Coelho Netto escreveu para
ela a peça musical "Miss Love" que ela protagonizou com sucesso
no Rio de Janeiro e em Petrópolis; em seguida trabalhou no elenco
de Leopoldo Fróes e criou a "Troupe Rian" montando peças de Álvaro
Moreira, Afrânio Peixoto, Cláudio de Souza e Reynaldo Chaves, de
natureza beneficente e para ajudar nas obras da construção da Igreja
Matriz, a nossa hoje Catedral.
Nair
era uma atração em toda a parte, sempre acompanhada da família,
que a prestigiava e a animava nas artes em geral e na literatura,
dons que ela sabia como ninguém exercer com talento e maestria.
No
dia 8 de dezembro de 1914 casou com o Presidente da República, o
Marechal Hermes da Fonseca, com bela festa no Palácio Rio Negro,
tornando-se 1a dama do País aos 27 anos de idade. Quebrou protocolos
e a sisudez dos corredores palacianos, levou música popular e teatro
aos saraus do Catete e do Rio Negro.
Deixando
a presidência Hermes e esposa ficaram residindo em Petrópolis. Em
final do ano de 1916 o casal seguiu para a Europa para tratamento
de uma lesão no pé de Nair ocasionada por acidente em Correas com
a charrete que a conduzia para uma recepção na casa do Dr. Edwiges
de Queiroz, notável político fluminense.
Enviuvou
em setembro de 1922, mandando edificar para o marido imponente túmulo
no Cemitério de Petrópolis, com um retrato e os dizeres: "Aqui jaz
o grande soldado Marechal Hermes da Fonseca, vitimado pelos desgostos
de sua violenta e injusta prisão efetuada aos 7 de julho de 1922".
Sobre a pedra com o retrato e a inscrição edificou uma coluna grega
partida ao meio, significativa da quebra da vida sob pressão política.
Jamais voltou a casar.
Em
Petrópolis, dedicou-se às letras, ingressando na Associação de Ciências
e Letras em 1927, sendo eleita presidente no ano seguinte, 1928.
Reeleita em 1929, a 5 de junho daquele ano extinguiu a Associação
e, em seu lugar, criou a atual Academia Petropolitana de Letras,
que presidiu até 1932, quando começou a se retirar de Petrópolis,
retornando ao Rio de Janeiro onde fundou o Cinema Rian, em Copacabana
e que passou para a empresa de Luiz Severiano Ribeiro. Em seguida
residiu em Niterói, onde faleceu no exato dia em que completava
95 anos de idade: 10 de junho de 1981.
Ao
escrever e lançar no Rio o livro "A Verdade sobre a Revolução de
22", a Academia a trouxe de volta à cidade, que ela não via há cerca
de 40 anos, promovendo um encontro com os amigos na tarde-noite
de 27 de fevereiro de 1975. Por proposta do vereador Nilson Platt
Filho recebeu o título de "Cidadã Petropolitana".
Foi
sepultada junto ao esposo que amou tanto e próxima ao túmulo de
seu pai, o Barão de Teffé.
A grande
mulher, a dama à frente de seu tempo, a extraordinária artista,
repousa em Petrópolis que a ela está devendo uma homenagem que a
recorde eternamente na melhor lembrança de nossa história.

NAIR EM PETRÓPOLIS
(foto de Nair com grupo) Foto na tarde-noite de 27 de fevereiro
de 1975, no Hotel Casablanca, rua General Osório, quando do lançamento
do livro "A Verdade sobre a Revolução de 22", quando o presidente
da APL, Joaquim Eloy e esposa Shirley entregavam placa e flores
para Nair de Teffe. À direita, a filha adotiva da escritora e à
esquerda, o então prefeito Paulo Rattes e esposa Ana Maria. Olhando
atentamente, por detrás do braço do pai, o menino Silvio Rafael.