REYNALDO
CHAVES
 |
Reynaldo
Antônio da Silva Chaves nasceu a 7 de janeiro de 1895, em Petrópolis.
Foi um dos maiores agentes da Cultura Petropolitana, desde a sua
vibrante mocidade até seu falecimento a 4 de março de 1957, aos
62 anos de idade. Poeta, dramaturgo, cronista, Reynaldo aos 27 anos
de idade era um dos mais respeitados jornalistas de nossa imprensa
e no ano de 1922 estava ao lado de seu grande amigo Joaquim Heleodoro
Gomes dos Santos e João Roberto d 'Escragnolle na fundação da Associação
Petropolitana de Ciências e Letras, a hoje Academia Petropolitana
de Letras. No ano de 1923, junto ao leito de morte do maestro Paulo
Carneiro, foi um dos discípulos que prometeram ao músico fundador
da Escola de Música Santa Cecília que ela não morreria, o que cumpriu
de forma extraordinária. Comerciante por necessidade, nunca por
vocação, Reynaldo foi proprietário da Casa Fortaleza de roupas masculinas,
em sociedade e sob a razão social Chaves & Cruz, localizada no térreo
da Pensão Petrópolis, local onde, em andar superior, foi fundada
a nossa Academia e onde hoje está o Edifício Vicente Marchesi. Também
empresariou uma fábrica de doces e balas mas as atividades culturais
o absorveram por inteiro. Escreveu dois livros de poemas: "Caos"
e "Manchas", editados postumamente em 1964, que o colocam na primeira
linha dos maiores poetas das letras nacionais, e muitas peças de
teatro representadas por artistas petropolitanos e por grandes nomes
do teatro nacional como Júlia e Ismênia dos Santos, Dulcina e Conchita
de Moraes, Lucilia Peres, Átila Moraes, Antônio Duval, Aurélio e
Anita Camacho e muitos outros. Suas crônicas vibrantes era firmadas
sob os pseudônimos "Montfleur" e "Rey-Naldo", hábito presente naqueles
tempos, polemizando com outros articulistas pelo seu feitio de ser
sincero e defender com denodo suas opiniões políticas e culturais.
Na Escola de Música Santa Cecília, onde aprimorou seu talento musical
e nos teatros Capitólio e Petrópolis onde exibiu suas peças teatrais,
o nome de Reynaldo Chaves era respeitado e admirado tendo sido ele
o presidente da Escola de Música Santa Cecília que edificou o edifício
sede da instituição, em continuação ao trabalho de Joaquim Gomes
dos Santos, ao qual sucedeu no posto. Fundou e dirigiu o jornal
"A Fortaleza", interessante veículo de divulgação de sua casa comercial
ao tempo em que órgão cultural que abrigava o melhor da poesia e
prosa produzidos na cidade na década de 20. Orador de grande recursos,
bela imaginação e sólida cultura, empolgava nas reuniões de qualquer
nível. Um nome petropolitano eterno. Casado, pai de três marcantes
personalidades petropolitanas, o advogado Paulo, o professor e inspirado
poeta Hélio e a pianista e cantora lírica Mariazinha, esta mãe do
consagrado maestro Ernani Aguiar e esposa do poeta Wolney Aguiar,
sua família honra o grande nome de uma personalidade das maiores
da cultura e das artes petropolitanas. Fundador e artífice das primeiras
horas de nossa Academia,coadjutor admirável de Gomes dos Santos
e d'Escragnolle, o irrequieto Reynaldo não ficou muito tempo na
Instituição. Participou da Diretoria (1923) - provisória - , de
instalação, como tesoureiro; três anos após, 1926, novamente tesoureiro.
Quando Nair de Teffé, em 1929, transformou a Associação em Academia,
Reynaldo colaborou no novo Estatuto, mas em 1934 quando o presidente
Alcindo Sodré deu forma definitiva ao provimento de 40 cadeiras
com patronos fixos, Reynaldo Chaves afastou-se não chegando a titular
efetivo de qualquer cadeira do cenáculo. Faleceu na presidência
da Escola de Música Santa Cecília, à qual dedicou-se de corpo e
alma nos últimos anos de sua vida, não sem antes inaugurar o teatro,
grande sonho de sua vida de artista e dramaturgo..
 |
|